Blasfêmia: quem comete o pecado da privatização da água deveria renunciar

Com a privatização, Jesus dirá: “Tive sede e vocês tentaram vender água pra mim, mas, como eu não tinha dinheiro, morri de sede”

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A água sempre foi tratada como um elemento sagrado por todas as confissões religiosas

Jesus disse que iria julgar as nações baseado em suas políticas públicas. Uma das prioridades listadas por ele, como carentes de uma política pública que otimize a sua distribuição, foi a água.

Ele disse que um dos critérios que usaria para julgar se uma nação seria ou não digna de continuar na história, seria a sua política pública sobre a distribuição da água.

Jesus, de fato, falava de um projeto de saneamento básico que garantisse a água potável, de graça, para todo mundo.

Ele ilustrou isso com a frase: tive sede e vocês me deram de beber!

Bem, se a proposta dos senadores, chamada de marco do saneamento for sancionada, certamente, o Brasil, frente ao juízo de Jesus, perderá o direito de continuar na história.

Porque se Jesus tiver de julgar ao Brasil, a partir dessa proposta de lei, ele dirá: tive sede e vocês tentaram vender água pra mim, mas, como eu não tinha dinheiro, morri de sede.

A bem da verdade, o programa de saneamento, vigente no Brasil, já coloca a nação sob risco de condenação frente ao juízo de Cristo. Agora, ao colocar a água sob a lógica do mercado, transformando-a em mais uma mercadoria a ser vendida dentro da lógica da lucratividade, o Senado garante a condenação do Brasil, isto é, garante que o Brasil perderá o direito de continuar na história.

A água é um bem universal, o acesso à água é um direito inalienável de todo ser humano, e de toda criatura que precise ser dessedentada.

A água sempre foi tratada como um elemento sagrado por todas as confissões religiosas.

O que o Senado está propondo é uma blasfêmia, uma ofensa direta o próprio criador, e blasfêmia é um pecado para o qual não há perdão.

O Senado ao invés de propor um avanço que propiciasse a universalização e a gratuidade do tratamento de esgoto, para garantir o acesso a água potável – o que aprimoraria a política ambiental do Brasil, no que tange a recuperação dos mananciais, proteção das matas ciliares e despoluição dos rios – propôs uma blasfêmia!

Blasfêmia não tem perdão!

Estes senadores, certamente, não foram movidos pela autoridade que emana do povo. Possivelmente, estavam a serviço de um tipo de pessoa que não vota no Brasil, a pessoa jurídica, pelo menos não vota na urna que deveria ser indevassável.

Esses senadores deveriam renunciar aos respectivos mandatos, para que pudéssemos eleger representantes do povo.