Alimentação saudável

Por que nos limitarmos ao consumo de leite de origem animal?

Conheça outras tantas variedades de sabores, de componentes nutricionais e de texturas próprias dos leites vegetais

Pixabay | Arte RBA

São Paulo – Sementes, oleaginosas, tubérculos, cereais são alguns exemplos de um mundo diverso apagado pela monotonia da predominância do leite animal em nossas vidas. Predominância essa que nos custa desmatamento de florestas, conflitos no campo, diminuição do nível das águas fluviais, uso insustentável dos recursos hídricos e muito (muito mesmo!) sofrimento animal.

Como diz a Lei Hermética da Correspondência, “o que está dentro é como o que está fora”; os prejuízos não se limitam ao meio ambiente, mas também invadem o nosso corpo.

Segundo dados de uma pesquisa Datafolha, no Brasil, 35% da população com idade acima de 16 anos – cerca de 53 milhões de pessoas – relatam algum tipo de desconforto digestivo após o consumo de derivados do leite. Levando em consideração a estimativa de 2015 do IBGE, esse valor corresponde a mais de um terço das pessoas dentro dessa faixa etária.

Intolerância

O médico Drauzio Varella afirma que “70% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose, que pode ser leve, moderada ou grave, segundo o tipo de deficiência apresentada”.  

A alergia é uma reação imunológica adversa às proteínas do leite – especificamente a caseína –, que se manifesta após a ingestão de uma porção, por menor que seja, de leite ou derivados. A mais comum é a alergia ao leite de vaca, que pode provocar alterações no intestino, na pele e no sistema respiratório (tosse e bronquite, por exemplo).

Vantagens 

Os leites vegetais são excelentes fontes de ácidos graxos ômega, fibras, sais minerais e vitaminas. Zero açúcar e zero colesterol. Também possuem baixo teor calórico. Um copo de 240 ml de leite de amêndoas, por exemplo, possui apenas 35 calorias. Enquanto a mesma quantidade do leite de vaca possui 150 calorias.

Além de não conter colesterol, o leite vegetal ainda ajuda a baixar as taxas. Os flavonoides e ácidos graxos ômega contidos nas bebidas feitas com oleaginosas combatem doenças cardiovasculares, para citar mais algumas vantagens.

Necessidades

Os seres humanos não têm nenhuma exigência nutricional de consumo de leite animal. Muito fala-se no leite animal como fonte de cálcio, mas alguns outros vegetais possuem até mais cálcio (e também magnésio!), como brócolis, couves, agrião, couve-flor, espinafre, feijão, ervilhas, tofu (queijo de soja), amêndoas, nozes, gergelim, manjericão, orégano, alecrim e salsa.

Receita

Veja como fazer um preparo de leite vegetal básico, barato e gostoso.

  • 1 xícara da oleaginosa da sua preferência crua e sem sal (amêndoa, castanha de caju ou macadâmia, por exemplo)
  • 2 xícaras de água morna
  • 1 colher de sopa de melado para adoçar

Preparo: deixe as oleaginosas de molho por 12 horas em água suficiente para cobri-las. Essa água pode ser usada para irrigar suas plantas. Leve os grãos amolecidos, a água morna e o melado ao liquidificador e bata até a mistura ficar homogênea (ou perto disso, a depender da potência do seu aparelho). Coe em um tecido fino como um voal ou um algodão. Caso você não tenha, pode sobrepor duas peneiras de malha fina para tentar evitar que os resíduos passem.

Dica: para um leite mais cremoso, use menos água.

Curso

Se quiser aprender mais variedades, inclusive preparos como iogurte, leite condensado e sorvete, pode participar do curso de Leites Vegetais que darei, em parceria com a culinarista Patricia Lio (@conversaverde), no dia 6 de julho, às 19h, pelo Zoom. Aprenderemos leites de semente de girassol, castanha de caju, coco com inhame, linhaça com castanha de caju, cappuccino, smoothies (leite com frutas), leite condensado.

Quem participar recebe eBook com as receitas passadas em aula e mais os bônus: base cremosa para sorvete, leite de macadâmia com banana, leite de coco e leite de aveia.

As inscrições podem ser feitas pelo Sympla.


alimentação viva

Úrsula Ferro é jornalista de formação e cozinheira de coração. Em 2018, decidiu deixar o jornalismo um pouquinho de lado para passar um mês entre aldeias acreanas, fazendo dietas espirituais e aprendendo sobre a culinária nativa. Quando voltou dessa jornada, começou a se dedicar exclusivamente à Ayá Comidas Veganas.