No Congresso

Guedes tem de explicar qual é o plano para a pós-pandemia, diz senador

Para Rogério Carvalho, governo “quer fazer mais terrorismo fiscal para justificar a venda de Banco do Brasil, Eletrobras e subsidiárias da Petrobras”

Agência Senado
"Por que o governo não encara o auxilio emergencial como um seguro para proteger a economia?"

São Paulo – O ministro da Economia, Paulo Guedes, participa nesta terça-feira (30), às 10h, de audiência na Comissão Mista de Acompanhamento das Medidas Relacionadas ao Coronavírus. Ele será cobrado a explicar sobre as medidas governamentais para minimizar os efeitos das crise sanitária e econômica no país. E o quais são os planos para o país funcionar depois da pandemia do coronavírus.

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), membro da comissão, o ministro precisa explicar fundamentalmente três questões. A primeira é por que não chega dinheiro às micro e pequenas empresas, apesar de o Congresso ter aprovado a chamada PEC do Orçamento de Guerra (PEC10/2020)? A PEC autorizou o Banco Central a comprar debêntures e títulos no mercado secundário para dar liquidez ao sistema financeiro?

“É a ganância dos bancos? O sistema financeiro foi irrigado com a liberação de R$ 1,3 trilhão. Foi criado um fundo estabilizador de R$ 15,9 bilhões, permite emprestar a micro e pequenas empresas e MEIs (microempreendedores individuais). Por que o dinheiro não chega?”

A segunda questão é por que o governo Bolsonaro não encara o auxilio emergencial como um seguro, que o benefício gera “um movimento orgânico” na economia. “As famílias e beneficiários não poupam esse dinheiro, eles consomem. Esse dinheiro gera demanda, produção, riqueza. Isso é orgânico, saudável para a economia, é um seguro.”

Paulo Guedes tem que explicar também qual o plano do governo para combater a enorme crise econômica que virá depois da pandemia. E como o governo vai lidar com o teto de gastos, que impede investimentos públicos.

Investimento

“O mundo inteiro vai fazer investimento público a rodo para retomar a atividade econômica. Precisamos fazer investimento público. Minha Casa Minha Vida, saneamento, infraestrutura, investimentos que vão agregar valor a nossa capacidade produtiva, de escoar produção e reduzir nosso  custo de produção”, diz Carvalho.

O problema é que a ideia de Paulo Guedes é bem diferente do que sugere Carvalho. O ministro quer criar um programa chamado Renda Brasil, que substituiria o auxílio emergencial e o Bolsa Família. E pretende continuar privatizando para supostamente estimular investimentos privados, fazer a “lei do gás” e a reforma tributária – com foco na simplificação e não em promover justiça fiscal –, entre outras.

“O que eles querem fazer é mais terrorismo fiscal para tentar justificar a venda do Banco do Brasil, da Eletrobrás e das subsidiárias da Petrobras. Isso é o que interessa ao sistema financeiro, que já lucra R$ 100 bilhões em um ano e quer adquirir o que resta do patrimônio público no Brasil”, avalia Rogério Carvalho.

Guedes já viu passar na Câmara, no dia 11, o projeto que estabelece o marco legal do saneamento. Segundo a oposição a medida abre caminho para que empresas privadas possam atuar livremente no setor e estabelecer os preços que quiserem pela água distribuída à população.


Edição: Paulo Donizetti de Souza