Justiça

Bolsonaro novamente tem de pedir desculpas por ataque a jornalista

Mas na live em que se retratou por acusar Bianca Santana de escrever “fake news”, repete mentira sobre nome da jornalista. Ela vai manter ação judicial contra o presidente

Reprodução Instagram
"Na semana quando fui citada pelo presidente, havia escrito um texto sobre as relações da família Bolsonaro com a milícia acusada do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes", lembra Bianca Santana

São Paulo – Os frequentes ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, aos profissionais da imprensa resultaram em mais uma retratação. Desta vez foi à jornalista Bianca Santana. Colunista das revistas Cult, Gama e do blog Ecoa-Uol, Bianca foi acusada por Bolsonaro de ser autora de um texto “fake” que ela nunca escreveu.

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A jornalista moveu ação judicial por danos morais contra Bolsonaro e dois meses depois, nessa quarta-feira (28), o presidente teve de se desculpar em nova live. A anterior, na qual foi feita a acusação inverídica, foi retirada do ar.

Bianca, avisa, manterá a ação judicial e, caso Bolsonaro seja condenado, “o valor da indenização será doado, integralmente, para projetos de busca por verdade e justiça sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes”.

Em sua conta no Instagram, a jornalista Bianca Santana afirma que Bolsonaro não cometeu um mero erro. “E diz que não tem problema em errar, nem em reconhecer erros, e que teria dito meu nome por estar ‘lá embaixo’ na mesma página. Mas a menção ao meu nome não foi meramente um erro. Na página em que está publicada a notícia lida por Jair Bolsonaro, não há o meu nome. Por que o presidente insiste, com outra informação falsa?”, questiona a jornalista.

Ataques são comuns

Monitoramento realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgado em 2 de julho, informa que Jair Bolsonaro cometeu 245 ataques contra o jornalismo no primeiro semestre de 2020. “São quase dez ataques ao trabalho jornalístico por semana, neste ano”, indica o levantamento.

Para a Fenaj, além dos números, os dados mostram que as notícias sobre as ações do governo ou a postura do presidente transformam a imprensa em sua inimiga. “Com a construção de uma narrativa de ataques com o objetivo de promover a descredibilização do trabalho jornalístico e da credibilidade da produção de notícias, algumas vezes o presidente coloca a imprensa e os jornalistas como ‘inimigos do País’, por conta de coberturas que o desagradam.”