vírus avança

Coronavírus faz 1.378 vítimas em 24 horas. Um terço das mortes é em São Paulo

Enquanto o número de vítimas e casos confirmados volta a crescer no país, São Paulo registra recorde de 434 mortos em um único dia

Carlos Bassan
A covid-19 avança com velocidade para o interior do país e cidades que relaxaram o isolamento social

São Paulo – O Brasil volta a registrar elevação no número de mortos e infectados de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Em 24 horas, foram registrados 39.436 novos doentes e 1.378 vítimas. Os números mostram que a pandemia está longe da estabilidade, como alega parte dos gestores públicos. No total, já são 52.649 mortos e 1.145.906 infectados, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O estado de São Paulo registrou recorde de mortes em um dia nesta terça (23).

Nos últimos 15 dias, diferentes cidades e estados passaram a relaxar as medidas de isolamento social. Shoppings abertos em São Paulo e praias lotadas no Rio de Janeiro. Sob argumento de que a pandemia teria entrado em um platô, a mensagem dos governos foi de relativa segurança para os cidadãos. O resultado começa a chegar com a pandemia registrando novos picos.

Após a adoção de medidas de isolamento social, especialmente entre os meses de abril e maio, de fato, o novo coronavírus diminuiu sua velocidade de disseminação. A Organização Mundial da Saúde chegou a reconhecer que “a velocidade da pandemia” estava diminuindo. Entretanto, o recado das autoridades e dos cientistas foi de cuidado. Não deu tempo para reduzir o número de mortos; uma breve tendência de estabilidade foi o suficiente para o relaxamento.

Mortes em São Paulo

O Brasil é o epicentro do novo coronavírus no mundo, com maior número de mortes diárias. Sozinho, o país tem mais do que o dobro dos infectados de toda a América Latina. No cenário geral, o Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos em número de doentes e de mortos.

O epicentro regional é São Paulo. Hoje, o estado registrou novo recorde de mortos em um dia: foram 434 vítimas, superando o dia 17, quando haviam sido registradas 389. O governo estima que o estado deve chegar a 18 mil mortes até o fim do mês. Por enquanto, são 13.068 vítimas e 229.475 infectados. A subnotificação é realidade apontada por cientistas e reconhecida por autoridades.

Cidades que até então tinham número reduzido de contágio agora voltam a preocupar. Curitiba deixou seu sistema de saúde perto do colapso. Após medidas intensivas de isolamento social entre abril e o início de maio, a prefeitura resolveu relaxar. De meados de maio até hoje, os doentes quintuplicaram. De 600 casos para mais de 3 mil. As UTIs estão acima de 80% de sua capacidade.

Cenário caótico

Enquanto boa parte dos prefeitos e governadores adotou medidas mínimas de contenção do vírus, o cenário do governo federal sempre foi mais caótico. O presidente Jair Bolsonaro sempre ignorou a ciência e chegou a ridicularizar o vírus e as vítimas. Disse que “não era coveiro” pra falar dos mortos e chamou a covid-19 de “gripezinha.

Neste período de pandemia, Bolsonaro demitiu dois ministros, justamente por divergências no trato ao problema. Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich seguiam, ainda que com pouca ação, o que diziam autoridades da saúde. Por sua vez, Bolsonaro não aceitou as divergências, os demitiu, e deixou o país sem ministro da Saúde durante a pior crise sanitária dos últimos 100 anos. Ocupa o lugar, interinamente, um general sem formação ou experiência na área.


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