Afrouxou

Para acelerar abertura, Doria libera fase verde com alta ocupação de UTI

Doria alterou os limites de ocupação de UTI e de evolução da pandemia para facilitar passagem da fase amarela para a fase verde da reabertura

Secom/GovSP
Doria e Gorinchteyn apresentaram as mudanças alegando que a situação está controlada

São Paulo – As cidades vão poder passar para a fase 4-verde do Plano São Paulo mesmo com alta ocupação de UTI. O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) nesta segunda-feira (27). Hoje, a taxa máxima de ocupação de UTI para a fase verde é de 60%, mas poderá ser de até 75%.

A mudança representa um novo afrouxamento das regras que coordenam a reabertura do comércio. O objetivo é facilitar a passagem da fase 3-amarela para a fase 4-verde, que permite a abertura em horário normal com até 60% da ocupação dos estabelecimentos.

Segundo o coordenador-executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, o ajuste visa a dar mais segurança na transição para evitar que se vá para a fase verde e tenha de voltar à amarela. Além disso, permite que municípios encerrem a contratação de UTI de hospitais privados, o que consome cerca de R$ 1.200 por dia por leito reservado.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que, para garantir a segurança na fase 4-verde, o modelo anterior exigia a disponibilidade de 3.640 leitos dos 9.110 leitos de UTI reservados para enfrentamento da pandemia de covid-19. O novo terá 2.275 leitos disponíveis.

Afrouxamento

Atualmente, para chegar nessa fase 4-verde, uma região precisa ter menos de 60% de ocupação de UTI. Requer ainda aumento de casos menor que uma vez em relação à semana anterior. E aumento de novas mortes e de novas internações menor que 0,5 vez em relação à semana anterior. Por exemplo, uma região que teve 100 casos, 100 mortes e 100 internações registrados em uma semana. Ela oderia passar para a fase 4-verde se registrasse até 100 casos, 50 internações e 50 mortes na semana seguinte.

Com o afrouxamento das regras, passa para a fase 4-verde uma região que estiver a quatro semanas na fase amarela, com a ocupação de UTI abaixo de 70% ou que estiver a sete dias com a ocupação estável até 75% – índices que hoje são das fases amarela e laranja, respectivamente. Além disso, passa a ser aceito o aumento de até uma vez no número de casos, mortes e internações na variação semanal. Assim, se houver 100 novos casos, 100 novas mortes e 100 novas internações registrados por duas semanas consecutivas, o indicador vai ser considerado estável, possibilitando a mudança de fase.

O único índice mantido por Doria é o da fase 1-vermelha, com ocupação de UTI acima de 80%, aumento de 1,5 vezes nas internações e de duas vezes nas mortes e novos casos. Além disso, a taxa de mortalidade da região deverá ser de até cinco mortes por 100 mil habitantes e a de internações de até 40 por 100 mil habitantes. Segundo Patrícia, nenhuma região teria mudanças se os novos critérios fossem aplicados aos dados divulgados na última sexta-feira (24).

Confira a comparação entre os modelos

Critérios antigos do Plano São Paulo, instituídos no início de junho
Novos critérios, que permitem a ida para a fase verde com alta ocupação de UTI

Situação estagnada

As mudanças nas regras do Plano São Paulo ocorrem diante de uma situação de estabilização da evolução da pandemia em parâmetros elevados. Os próprios dados apresentados pelo secretário da Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, usados como justificativa técnica da mudança por apresentar redução pontual, não demonstram queda significativa nos casos, mortes e internações. Mas, sim, essa estabilização em patamares elevados.

Além disso, a mudança é anunciada apenas três dias depois de os dados demonstrarem que São Paulo não atingiu as metas para volta às aulas em 8 de setembro. O critério principal era que todo o estado estivesse, pelo menos, na fase 3-amarela por 28 dias seguidos.

Como no caso do registro semanal de mortes causadas pela covid-19. Em maio era de 212 óbitos por semana e desde a metade de junho está acima de 240 mortes por semana. No caso do interior, há um claro aumento das mortes, na casa de 16% por semana.

Dados semanais das mortes causadas pela covid-19 não mostram queda nos índices

Há algumas semanas o índice de ocupação de UTI do governo Doria para o estado está abaixo de 70%, ainda que algumas regiões tenham situações mais graves. Desde o início de junho, os registros se encontram acima de 1.700 novas internações por semana. E no interior os dados mostram um aumento significativo dessas internações.

Em todo o mês de julho, a taxa de ocupação de UTI na capital paulista está na casa dos 67%. A cidade está desde o dia 6 na fase 3-amarela. Mas o atual modelo de faseamento ainda não iria permitir o avanço para a fase 4-verde. Agora isso pode mudar, com o afrouxamento das regras.

Os dados de novas internações por covid-19 no estado mostram uma estabilização elevada