Irresponsabilidade social

Campanha internacional cobra do Santander que pare de demitir no Brasil

Em plena pandemia, 363 bancários foram demitidos pelo banco espanhol, que lucrou 10,5% mais no Brasilnos primeiros três meses deste ano

Dino Santos / Seeb-SP
Parte de uma mobilização nacional, projeções em prédios de São Paulo, no último dia 19, cobraram do Santander respeito aos trabalhadores do banco no Brasil

São Paulo – Rompendo compromisso assumido com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o Santander demitiu pelo menos 363 bancários no Brasil, em plena pandemia do novo coronavírus. O banco espanhol, que tem no país 29% do seu lucro mundial, anunciou planos de extinguir 20% dos postos de trabalho. Apesar de ter desmentido esses cortes, que deixariam mais de 9 mil brasileiros sem emprego, o banco segue fazendo demissões.

UNI Global Union, sindicato mundial que representa 20 milhões de trabalhadores do ramo de serviços em 150 países – 3 milhões deles do setor financeiro –, lançou campanha internacional para denunciar o Santander.

“Usar a pandemia como desculpa para demitir trabalhadores tem rebaixado ainda mais os parâmetros do banco”, afirma documento da UNI. “Diga ao CEO do Santander Brasil para manter sua promessa aos trabalhadores e proteger seus empregos durante a crise sanitária nacional”, cobra o abaixo-assinado.

“A campanha é uma forma de denunciar ao mundo a crueldade com que o banco Santander atua no país”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região Rita Berlofa.

Crueldade e desrespeito

Presidenta da UNI Finanças Mundial e bancária do Santander, a dirigente ressalta que é no Brasil que o grupo tem sua maior fatia de lucro. “E, no entanto, somos desrespeitados pela empresa multinacional. Quebra seu compromisso ao mandar para a rua centenas de trabalhadores. E torna a vida dos que ficam um verdadeiro inferno, com assédio por metas e ameaças de demissão”, critica.

A presidenta do sindicato, Ivone Silva, considera que não há justificativa para o comportamento do banco espanhol. O Santander apresentou lucro de R$ 3,8 bilhões nos primeiros três meses do ano – alta de 10,5% em relação a igual período de 2019. “O que os bancos deveriam fazer nesse momento de crise seria gerar crédito com baixos juros e não ser uma âncora ao desenvolvimento econômico e social do país, com crédito caro e escasso, cobrança de tarifas abusivas, lobby por política econômica recessiva e demissões”, afirma Ivone.

Para Rita, com esses cortes, o Santander mostra seu descaso com a sociedade brasileira e dá exemplo de desumanidade para o mundo. “É muito importante que todos participem: assinem e ajudem na divulgação desse documento da UNI. Vamos pressionar o Santander para que resguarde empregos no Brasil.”

Edição: Fábio M. Michel