Governo na contramão

Ato das centrais em Brasília denuncia políticas de Guedes e Bolsonaro contra o Brasil

Presidentes das entidades vão entregar documento com propostas para retomada da economia e combate à crise

Reprodução/Montagem RBA
Diante do ministério comandando por Paulo Guedes, sindicalistas pediram novos rumos para a política econômica e justiça social

São Paulo – No final da tarde desta quarta-feira (8), presidentes de centrais sindicais vão entregar propostas ao governo para enfrentamento da crise e retomada da economia. No ato das centrais diante do Ministério da Economia, em Brasília, os sindicalistas alertaram que as ações – implementadas ou sinalizadas – vão na contramão do que o país precisa para voltar a crescer e criar empregos.

Os sindicalistas serão recebidos às 17h pelo secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, e pelo secretário do Trabalho, Bruno Dalcomo. No mesmo horário, a agenda do ministro Paulo Guedes prevê uma videoconferência com o diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda, Bruno Funchal.

“No início da pandemia, as centrais já tinham alertado que era importante tomar medidas no sentido de proteger a vida. Na verdade, o Bolsonaro desdenhou da crise”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre. “Infelizmente, há projeções que apontam que o Brasil pode sair dessa crise sendo o número 1 em mortes, ultrapassando os Estados Unidos. Uma marca vergonhosa para o nosso país”, disse, manifestando solidariedade às famílias das vítimas do coronavírus.

Ato das centrais: presencial e virtual

Os sindicalistas afirmaram que o ato das centrais de hoje, diante do Ministério da Economia, tinha a preocupação de não causar aglomerações e de respeitar recomendações sanitárias. Todos usaram máscaras. Além das pessoas que acompanharam a transmissão em redes sociais, as centrais inovaram ao usar um aplicativo (manif.app), cedido por dirigentes franceses, por meio do qual era possível criar um avatar e “participar” virtualmente da manifestação.

ato das centrais
Manifestação de hoje teve ‘participações’ virtuais, com criação de avatares

“O pessoal está participando simbolicamente no Brasil todo”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, destacando a importância política do local escolhido. “O maior poder da República está aqui. O Ministério da Economia é a fusão de cinco ministérios”, lembrou. “E não está fazendo nada para enfrentar essa crise. As coisas que têm acontecido são por força do Congresso”, acrescentou Miguel, ao lembrar das conversas dos sindicalistas com representantes do Poder Legislativo.

O Ministério da Economia concentrou áreas da Fazenda, Indústria e Comércio Exterior, Planejamento, Trabalho, Previdência. Em entrevista coletiva em dezembro, Guedes chegou a afirmar que “a coisa estava andando” justamente por isso. Recentemente, voltou a falar em retomar o programa de privatizações, além de ampliar reformas como a trabalhista.

“Ajuste” e direitos

O presidente da CUT chamou a atenção para as consequências do “brutal ajuste fiscal” e da retirada de direitos sociais, especialmente no serviço público. “Ai de nós se a gente não tivesse um sistema público de saúde, que é exemplo no mundo. (Guedes) Deveria reforçar os serviços públicos, mas quer fazer o contrário”, criticou Sérgio. Ele defendeu “amplos” programas habitacional e de segurança alimentar, além de planejamento em mobilidade e investimento em infra-estrutura. “Ele tem que governar para o povo, respeitar os trabalhadores.”

Assim como Miguel, o dirigente da CUT lembrou que no início o governo queria pagar um valor muito menor para o auxílio emergencial, que acabou sendo fixado em R$ 600, depois de pressão social e política. “Nós alertamos que uma parte importante da população estava vulnerável e precisava de auxílio do governo para poder sobreviver. E não chegou a todo mundo que precisava, parte importante da população ficou excluída.”

O benefício foi prorrogado por dois meses, mas a pressão deve continuar lembrou o dirigente. O auxílio deve ser pago não apenas até dezembro, mas enquanto durar a pandemia. “Temos como prioridade a defesa da vida e o crescimento do país, com justiça social”, afirmou. Além de CUT e Força, participaram do ato das centrais dirigentes de CSB, CTB, Nova Central e UGT.